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Os profetas franceses da resistência protestante

Em 1560 as ideias reformadoras que contestaram a autoridade da Igreja Católica Apostólica Romana em Wittenberg, na Alemanha, propostas muitos anos antes por Lutero haviam chegado à França e os que aderiram às suas propostas foram chamados de huguenotes. 

A despeito da perseguição que sofreram, em 1598 foi-lhes garantida a liberdade religiosa através do Edito de Nantes. Porém, em 1685, Luis XIV revogou o Edito e intensa perseguição teve início novamente.

Muitos huguenote fugiram para a Inglaterra, Prússia, Holanda, África do Sul e até mesmo para a Carolina do Norte, nos EUA; mas muito resolveram permanecer na França e concentraram-se ao sul, nas montanhas de Cévennes.

Esses remanescentes que resistiram e vivenciaram o poder sobrenatural do Espírito Santo em seu meio, ficaram conhecidos não mais apenas como huguenotes, mas também como profetas franceses.

Quando se estuda os reavivamentos espirituais ao longo da história da Igreja, vê-se que a manifestação de forma mais intensa do Espírito Santo é uma forma sua de agir, capacitando os envolvidos em algum local específico, no propósito da Igreja, com poder sobrenatural que escapa a qualquer racionalização.

Uma outra relação que há com a intensidade da manifestação do Espírito Santo é a situação histórica vivenciada pelos cristãos. Sempre que há uma grande dificuldade pressionando a igreja ou um desvirtuamento generalizado de princípios, há uma manifestação em contrapartida como forma de despertamento da igreja para agregar e trazê-la de volta ao propósito do Reino.

Os profetas franceses criam firmemente no poder sobrenatural de Deus, como resultado da sua intensa dedicação a oração e estudo do Novo Testamento.

Criam também na permanência e atualidade dos dons espirituais – manifestados desde o Pentecoste no livro de Atos – para a sua época, e muitos deles falavam em línguas estranhas, tinham visões, profetizavam e possuíam outros dons espirituais.

Crianças profetizando
Esse período ficou marcado pela excepcional ação do Espírito Santo. Há vasta bibliografia documental disponível que descreve como um dos mais profícuos períodos que a Igreja vivenciou em termos do impacto da manifestação do Espírito Santo numa comunidade.

Destaca-se a unção profética que manifestou-se entre as crianças. Há relatos que muitas delas com três anos ou menos, profetizaram e discursaram em francês fluente, embora muitas dessas nem fosse esse seu idioma nativo. Há o registro de uma criança de 14 meses, que ainda não haviam falado até aquele momento; mas repentinamente começa a exortar a igreja sobre o arrependimento em alta voz.

Alguns adultos também foram impactos por esse fenômeno espiritual, inclusive há o relato de uma mulher com deficiência cognitiva, que discursou – sob a unção do Espírito Santo – em francês fluente e de alto nível, de tal forma que muitos ouvintes chegaram a afirmar que “a jumenta de Balaão tinha boca de ouro”; demonstrando que mesmo com a sua deficiência (simbolizada pela jumenta), proferia palavras que tinham valor de ouro, que só poderiam proceder de uma fonte sobrenatural, que contrariava as circunstâncias reais que vivenciavam, fazendo uma analogia à passagem de Números 22, no episódio da jumenta que falou com o profeta.

Tais episódios causavam grande comoção e impacto nos ouvintes que caíam, muitos entravam em transe, outros reagiam com espasmos esporádicos e proferiam outras línguas conforme o Espírito concedia a cada um. Esses acontecimentos são fartamente relatados em estudos posteriores, bem como em escritores da época, destacando-se desses últimos, John Lacy, no seu livro “Um Clamor do Deserto” (A Cry from the Desert, de 1708) ainda sem tradução no Brasil.

O resultado desse reavivamento, não restringiu-se a experiências pessoais, mas teve impacto com abrangência para a Igreja, de forma que houve um retorno a princípios cristãos esquecidos ou relegados, um despertamento para fazer avançar o Reino e a difusão desse movimento para a Inglaterra e outros países.

Uma lição que fica para os cristãos atuais é que sempre haverá um remanescente que permanece fiel em tempos de sequidão espiritual, perseguição, desânimo e descrédito com a Palavra de Deus e os propósitos do Reino.

Outro aspecto é que duas coisas são comuns para vivenciar um reavivamento espiritual, a saber, oração e leitura da Palavra de Deus. Oração como forma de mortificação dos anseios humanos, que confrontam a vontade do Eterno e afastam o homem cada vez mais de Deus e a leitura com uma postura mais humilde diante das verdades inalcançáveis à mente humana, senão somente através da fé e como fruto de um gesto de amor da parte de Deus.

Não há relatos históricos de reavivamento espiritual sem esse binômio: oração intensa (sede insaciável pela presença do Espírito Santo) e leitura com uma postura humilde da Palavra de Deus que alimente e direcione as orações.

Portanto, para o reavivamento há uma motivação externa e uma motivação interna. Externa é a desagregação aparente da Igreja, aquela sensação de que não se vê mais justo sequer na terra, que parece que a sequidão espiritual vai sufocar. Motivação interna é a decisão pessoal de tomar uma atitude contra a situação, sem importar-se com esse ou aquele, mas fazendo aquilo que cabe a si, não esperando de ninguém, contando unicamente com a sua disposição, a sua determinação e com a ajuda de Deus, é claro.

Cabe a cada uma analisar o cenário que vive, se um outro fator se apresenta, se ambos e tomar a decisão certa.

Deus abençoe a todos!

Bibliografia
HYATT, Eddie L. 2000 Years of Charismatic Christianity. Charisma House, Florida, 2002.
LACY, John. A Cry From the Desert. London, 1708.
HAMILTON, Michael P. The Charismatic Movement. Grand Rapids, 1975.

Fonte: Gospel Prime


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